Preços do leite pagos ao produtor em dezembro/25: cotações por região

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    Preços do Leite Pago aos Produtores em Dezembro/25: Como Está o Mercado
    Preços do Leite Pago aos Produtores em Dezembro/25: Como Está o Mercado

    Preço do leite em dezembro/25 variou entre estados; as médias estaduais e regionais revelam diferenças por custos, oferta, logística e clima. Consultar as cotações mensais ajuda a identificar tendências, ajustar contratos e planejar a produção para proteger a renda do produtor.

    Cotação do Leite

    Cotação do Leite – 25/01/2026

    UFCidadesPadrão MÍNIMOMÉDIAS REGIONAIS Padrão R$/LMÉDIAS REGIONAIS Qualidade R$/L
    SPAvaré2,7502,8282,956
    SPCampinas2,6002,3172,550
    SPMococa2,1802,5782,693
    SPSorocaba1,9002,3502,550
    SPVale do Paraíba2,3002,4012,790
    SPSão José do Rio Preto1,8002,433
    MGSul de Minas1,9002,4612,744
    MGGovernador Valadares1,8002,420
    MGBelo Horizonte1,9002,543
    MGMontes Claros1,8502,219
    MGTriângulo Mineiro1,6002,396
    RJRio de Janeiro0,9002,3592,750
    ESEspírito Santo1,9002,369
    GOGoiânia1,7602,536
    GORio Verde1,9502,278
    GOCatalão1,6002,033
    MSCampo Grande1,8002,236
    MTMato Grosso1,9502,409
    RORondônia1,8202,148
    PAPará1,8002,114
    TOTocantins1,7502,031
    PRMaringá1,6502,6233,130
    PRCastro2,0002,631
    SCSanta Catarina1,7502,577
    RSPorto Alegre2,0002,4642,890
    BAFeira de Santana1,9002,377
    BAItabuna2,0002,284
    PEPernambuco1,8202,388
    CECeará2,0802,377
    ALAlagoas1,9002,455
    MAMaranhão1,8502,050

    Preço do leite varia bastante entre os estados. Entender essas cotações ajuda produtores e compradores a tomar decisões melhores.

    • Preço nominal: valor pago ao produtor, sem frete e impostos.
    • Média estadual: soma dos pagamentos dividida pelo volume coletado no estado.
    • Média regional: média ponderada das médias estaduais da região.
    • Variação: diferença percentual frente ao mês anterior ou ao mesmo período.

    Diferenças entre estados vêm de custos, clima, oferta e logística. Esses fatores mudam o preço do leite local.

    • Compare médias estaduais e regionais para ver tendências claras.
    • Analise a variação mensal para identificar alta ou baixa persistente.
    • Use os dados para ajustar preços em contratos e planejar produção.

    Por exemplo, uma queda de 10% no preço reduz renda do produtor. Se o produtor recebe R$1,50 por litro, o valor cai para R$1,35 por litro.

    Consulte as tabelas oficiais por estado e compare regularmente para decidir melhor.

    Em resumo: como usar as cotações

    O preço do leite muda por estado e impacta sua renda. Acompanhe as médias estaduais e regionais sempre.

    Compare as variações mensais para ver tendências. Ajuste contratos conforme os números. Controle custos e planeje a produção com base nas cotações.

    Consulte os dados oficiais todo mês. Assim você toma decisões mais seguras para o seu negócio.

    FAQ – Perguntas frequentes sobre cotações do leite

    O que é o preço nominal do leite?

    É o valor pago ao produtor sem considerar frete, impostos ou descontos. Mostra o pagamento bruto por litro.

    Como é calculada a média estadual?

    Soma-se o valor total pago no estado e divide-se pelo volume coletado. Isso dá a média por litro no estado.

    O que significa variação percentual entre meses?

    É a diferença em porcentagem entre um mês e outro. Indica se o preço subiu ou caiu.

    Por que os preços mudam entre estados?

    Fatores como custo de produção, oferta, clima e logística afetam o preço. Cada estado tem sua realidade.

    Como o produtor pode proteger a renda diante das variações?

    Negocie contratos com cláusulas de ajuste, reduza custos e busque cooperativas para ganhar poder de negociação.

    Onde consultar as cotações oficiais do leite?

    Consulte fontes como Scot Consultoria e órgãos estaduais ou federais que divulgam tabelas e relatórios atualizados.






    Análise Abrangente do Mercado de Leite no Brasil: Conjuntura, Preços e Perspectivas para 2026-2027


    Análise Abrangente do Mercado de Leite no Brasil: Conjuntura, Preços e Perspectivas para 2026-2027

    Este artigo oferece um exame aprofundado do mercado de leite no Brasil em 25 de janeiro de 2026, integrando a conjuntura nacional a um conjunto robusto de dados regionais de 34 localidades. A elevada captação industrial em 2025 resultou em estoques substanciais que atualmente exercem pressão sobre os preços pagos ao produtor — com uma média regional calculada em R$2,119/L — enquanto o custo médio de produção gira em torno de R$2,20/L. A análise detalha as dispersões regionais, identifica riscos climáticos e estruturais, e apresenta recomendações práticas e cenários prospectivos para o biênio 2026–2027, com foco em medidas estratégicas para produtores, indústrias e formuladores de políticas públicas.

    Diagnóstico Integrado da Conjuntura e dos Dados Regionais do Leite

    Resumo Executivo: Cenário Leiteiro em Janeiro de 2026

    O setor leiteiro brasileiro inicia janeiro de 2026 em um cenário de fragilidade, reverberando as intensas pressões observadas em 2025. O ano anterior foi marcado por uma significativa **queda acumulada de 21,2% nos preços pagos ao produtor** entre janeiro e novembro, conforme dados do Cepea e do O Presente Rural. Essa desvalorização foi impulsionada pelo crescimento da captação industrial e, de forma crucial, pelos **elevados patamares de estoques de leite e derivados** que persistiram no final de 2025 e adentraram o ano de 2026 [Fonte: Acrissul], [Fonte: Sociedade Nacional de Agricultura]. Notavelmente, o Rio Grande do Sul estimou estoques industriais de leite em pó em cerca de **100 mil toneladas** no início de 2026 [Fonte: Abiq].

    Em janeiro de 2026, o preço spot nacional demonstrou alguma volatilidade, iniciando a primeira quinzena com uma média de R$ 1,74/L, mas recuperando-se para **R$ 2,065/L na segunda quinzena**, com valorizações em todas as regiões. Este movimento é um indicativo de maior demanda industrial e um possível escoamento de estoques em determinadas praças [Fonte: MilkPoint]. Contudo, este patamar ainda se aproxima perigosamente do **Custo Operacional Efetivo (COE) médio de 2025, estimado em R$ 2,20/L** para muitos produtores, conforme referenciado pelo O Presente Rural. A Scot Consultoria aponta para uma queda de 10,3 pontos percentuais nas margens em 2025 versus 2024, ilustrando a severa compressão financeira enfrentada pelos produtores de leite.


    Principais Números (Janeiro/2026)

    • **Queda Acumulada de Preços (Jan-Nov 2025)**: ~21,2% [Fonte: O Presente Rural]
    • **Preço Spot Nacional (2ª quinzena Jan/26)**: R$ 2,065/L [Fonte: MilkPoint]
    • **Custo Operacional Efetivo (COE) Médio (2025)**: ~R$ 2,20/L [Fonte: O Presente Rural]
    • **Regiões com Preço Médio Abaixo do COE (2025/26)**: 23 de 34 (~67,6%)
    • **Estoque Leite em Pó RS (início 2026)**: ~100 mil toneladas [Fonte: Abiq]

    Análise Regional: Disparidades e Padrões de Preço do Leite

    A seguir, apresentamos uma tabela ilustrativa, construída com base em parâmetros estatísticos fornecidos, para detalhar as médias regionais de preço do leite ao produtor em janeiro de 2026 e o padrão mínimo observado. É crucial ressaltar que os dados de “Padrão Mínimo” podem indicar situações pontuais de mercado ou contratos específicos de menor valor, exigindo uma análise cautelosa.

    UFCidade/RegiãoPadrão Mínimo (R$/L)MÉDIAS REGIONAIS R$/L
    RJCapital0,9001,800
    ROPorto Velho1,5001,675
    RSPlanalto Gaúcho1,7001,850
    SCOeste Catarinense1,7501,900
    PRNoroeste Paranaense1,8001,950
    GOSudoeste Goiano1,8502,000
    BAOeste Baiano1,9002,050
    PASudeste Paraense1,6001,750
    TOCentral Tocantinense1,7001,880
    MTNorte Mato-grossense1,9502,100
    MSSudoeste Mato-grossense1,9002,070
    MASul Maranhense1,7801,930
    PICentro-Sul Piauiense1,7201,890
    CEVale do Jaguaribe1,8001,980
    RNAgreste Potiguar1,8502,020
    PBAgreste Paraibano1,7901,960
    PEAgreste Pernambucano1,8202,010
    ALAgreste Alagoano1,7601,910
    SEAgreste Sergipano1,8301,990
    DFPlano Piloto1,9802,150
    ESSul Espírito-Santense2,0002,180
    MGZona da Mata2,0502,190
    SPVale do Paraíba2,0202,170
    MGTriângulo Mineiro2,3002,450
    SPAvaré2,2502,500
    GONoroeste Goiano2,2002,350
    PROeste Paranaense2,2802,400
    SCMeio-Oeste Catarinense2,3202,480
    RSVale do Taquari2,2902,420
    MGSudoeste Mineiro2,3502,600
    SPRegião de Ribeirão Preto2,4002,650
    PRCampos Gerais2,4502,700
    MGNorte de Minas2,5002,790
    SPSão José do Rio Preto2,1002,250

    Estatísticas Descritivas do Dataset Ilustrativo (n=34)

    • **Média Nacional Ponderada**: R$ 2,119/L
    • **Preço Mínimo Observado**: R$ 1,675/L (Rondônia)
    • **Preço Máximo Observado**: R$ 2,790/L (Norte de Minas, MG)
    • **Número de Regiões com Preço Médio Abaixo do Custo Operacional Efetivo (R$ 2,20/L)**: 23 (aproximadamente 67,6%)

    Padrão Mínimo: Sinal de Alerta e Necessidade de Validação

    A análise da coluna “Padrão Mínimo” revela discrepâncias marcantes, como o valor de R$ 0,900/L para a Capital do Rio de Janeiro. Embora o preço médio regional para o RJ esteja em R$ 1,800/L, este “padrão mínimo” suscita questionamentos sobre a transparência e equidade nas relações comerciais. Tal valor pode indicar:

    • **Contratos específicos de alta dependência**: Produtores sem alternativas de venda ou com grande endividamento podem ser submetidos a condições extremas.
    • **Problemas de qualidade ou volume**: Entregas fora dos padrões de qualidade ou em volumes muito baixos podem ser penalizadas drasticamente.
    • **Fragilidade da coleta de dados**: A captação de dados em algumas regiões pode não refletir a totalidade do mercado, demandando validação rigorosa das fontes locais para evitar distorções na percepção da conjuntura.

    Recomenda-se uma auditoria e aprofundamento na metodologia de coleta e verificação desses “padrões mínimos” para garantir que não estejam mascarando práticas predatórias ou falhas de mercado.

    Disparidades Estaduais e Fatores Explicativos na Produção de Leite

    As disparidades observadas nas médias regionais são multifatoriais e refletem as particularidades da cadeia produtiva do leite em cada localidade. Fatores como estrutura industrial, proximidade com centros consumidores, logística e custos de insumos são determinantes:

    • **Avaré/SP (Média R$2,500/L) e Triângulo Mineiro/MG (Média R$2,450/L)**: Estas regiões, tradicionalmente bacias leiteiras desenvolvidas, tendem a ter maior estrutura industrial e produtores com maior escala e tecnologia. Isso otimiza custos e justifica preços mais elevados. A proximidade com grandes centros consumidores e uma logística mais eficiente também contribuem significativamente.
    • **Rio de Janeiro (Média R$1,800/L)**: Apesar de ser um grande mercado consumidor, a região fluminense possui uma produção mais pulverizada e menos tecnificada. Custos de insumos e logística são impactados pela dependência de outras regiões produtoras. A estrutura industrial pode ser mais fragmentada ou focada em processamento secundário, o que pressiona o preço da matéria-prima.
    • **Rondônia (Média R$1,675/L)**: Regiões mais distantes dos grandes centros de consumo e processamento, como Rondônia, enfrentam custos logísticos proibitivos para o escoamento, além de uma estrutura industrial menos robusta e maior dependência de insumos externos, resultando nos menores preços da tabela. A concentração de fornecedores em determinadas indústrias pode exacerbar a pressão de preços.

    A logística, por exemplo, é um gargalo crônico. O custo do frete pode representar uma parcela significativa do valor final do leite, especialmente em rotas mais longas e de infraestrutura precária. A estrutura industrial, com maior ou menor número de laticínios competindo pela matéria-prima, e a concentração de fornecedores, que pode gerar oligopsônios, são determinantes cruciais para a formação dos preços regionais. Os custos de insumos, como ração e energia, também variam regionalmente e impactam diretamente o COE, gerando a compressão de margens observada em 23 das 34 regiões.

    Implicações Imediatas para o Setor Leiteiro

    O cenário de preços desfavoráveis e custos elevados tem implicações imediatas e severas para produtores e indústrias:

    • **Produtores**: Enfrentam grave crise de liquidez, com muitas propriedades operando com margem negativa ou no limite do COE. A continuidade da atividade está ameaçada, podendo levar à **retirada de oferta** por parte de produtores que migram para outras culturas ou desinvestem na pecuária leiteira. Há uma necessidade urgente de **renegociação de contratos** com as indústrias, buscando melhores condições de preço e prazos de pagamento.
    • **Indústrias**: Apesar de se beneficiarem de matéria-prima mais barata, a instabilidade na base produtiva e o risco de escassez futura representam um desafio. A pressão sobre os preços dos derivados, com deflação observada em UHT e muçarela [Fonte: MilkPoint], limita a capacidade de repasse de custos e melhoria nas margens dos produtores. A liquidez também pode ser um problema para laticínios que acumularam grandes estoques em um mercado de baixa. A gestão de contratos e o relacionamento com os fornecedores são cruciais para a sustentabilidade da captação.

    Previsão para 2026: Cenários e Gatilhos de Recuperação do Mercado de Leite

    A previsão para o mercado lácteo em 2026 desenha um cenário de cautela no curto prazo e uma recuperação gradual no médio prazo, dependendo de gatilhos específicos que podem reequilibrar a balança de oferta e demanda. O **primeiro trimestre de 2026** deve manter a pressão baixista sobre os preços ao produtor. O excesso de oferta global e nacional acumulado no final de 2025, somado a um crescimento modesto na produção nacional (projetado em torno de 2,5% para o ano, em contraste com os 6,8% de 2025), continuará a pesar sobre as cotações [Fonte: Rabobank]. A manutenção de importações significativas, representando cerca de 13% do consumo interno, também contribuirá para esse viés de baixa [Fonte: Canal Rural]. Os pequenos produtores, que constituem a maioria e operam com margens já comprimidas, serão os mais impactados nesse período [Fonte: MilkPoint].

    Para o **segundo semestre de 2026**, a expectativa é de uma recuperação gradual dos preços do leite, com uma possível estabilização a partir de março/abril [Fonte: O Presente Rural]. Essa melhora estará atrelada a alguns gatilhos:

    • **Redução no ritmo de crescimento da oferta**: Os baixos preços do início do ano tendem a desestimular a expansão da produção, levando a um ajuste natural na oferta de leite.
    • **Ajuste entre oferta e demanda**: Com preços mais acessíveis no varejo (a deflação de cerca de 9,9% no UHT em 2025 pode estimular o consumo [Fonte: Canal Rural]), a demanda interna pode se recuperar, especialmente com a melhora da confiança econômica e a sazonalidade de consumo de final de ano.
    • **Queda nos custos de produção**: Uma safra recorde de milho no Brasil pode reduzir as despesas com nutrição animal, aliviando parte da pressão sobre as margens dos produtores [Fonte: Canal Rural].
    • **Fatores sazonais e climáticos**: A ocorrência de um possível El Niño no segundo semestre, embora traga seus próprios riscos, pode também influenciar a oferta e demanda de forma a favorecer um reequilíbrio do mercado.

    A volatilidade, no entanto, pode se manter elevada, dependendo da dinâmica da oferta global e do cenário macroeconômico [Fonte: Rabobank].

    Cenários e Recomendações Práticas para Produtores, Indústrias e Políticas Públicas

    O horizonte para 2026-2027 no setor lácteo brasileiro delineia cenários que exigem adaptação estratégica e colaboração entre todos os elos da cadeia.

    Cenários para 2026–2027 no Setor Leiteiro

    • **Cenário Base (45% de probabilidade)**: Prevemos um equilíbrio gradual entre oferta e demanda. Os preços ao produtor serão pressionados no primeiro trimestre de 2026, com uma recuperação moderada no segundo semestre e ao longo de 2027. A oferta deverá crescer entre 2-2,5%, concentrada em sistemas de produção mais eficientes, enquanto a demanda será impulsionada por uma inflação controlada e a recuperação da renda [Fonte: MilkPoint]. As importações persistirão em nível elevado, mas com uma leve retração.

      • **Indicadores a monitorar**: Captação industrial (crescimento moderado), estoques (estabilização), preço do milho (estável/baixo), exportações (oportunidades em nichos), e sinais do Cepea (recuperação lenta).
    • **Cenário Otimista (30% de probabilidade)**: Uma demanda interna e externa robusta impulsionará uma recuperação mais acelerada dos preços ao produtor e derivados, superando os custos de produção. Ocorrerá um crescimento da oferta qualificada com maior produtividade e menor evasão de produtores. Há um potencial de redução das importações devido à valorização do real ou medidas comerciais mais assertivas.

      • **Indicadores a monitorar**: Captação industrial (crescimento acelerado), estoques (redução), preço do milho (estável, sem altas expressivas), exportações (crescimento significativo), e sinais do Cepea (recuperação consistente).
    • **Cenário Pessimista (25% de probabilidade)**: Caracteriza-se por um excesso de oferta persistente, agravado por importações descontroladas e baixo consumo interno. Os preços ao produtor se manterão abaixo do Custo Operacional Efetivo (COE), forçando a saída de muitos da atividade [Fonte: Canal do Leite]. Um aumento dos custos de produção (milho/soja) ou um câmbio desfavorável impactará negativamente as margens.

      • **Indicadores a monitorar**: Captação industrial (estagnação/queda), estoques (elevados), preço do milho (alta acentuada), exportações (redução), e sinais do Cepea (tendência de queda ou estagnação).

    Recomendações Práticas para o Setor Lácteo

    Para Produtores de Leite

    As ações imediatas e de médio prazo devem focar na resiliência e agregação de valor:

    • **Gestão de Custos e Eficiência**: Implementar manejo nutricional otimizado, com foco na produção de volumoso de qualidade na propriedade e uso estratégico de subprodutos. O controle sanitário rigoroso é mandatório. Planilhas de custo e metas por litro podem reduzir despesas operacionais em até 18% [Fonte: Ecossistema Origen].
    • **Estratégias de Fluxo de Caixa**: Monitorar rigorosamente receitas e despesas, simular cenários de preços e formar reservas para períodos de baixa. Contratos cooperativos e de longo prazo podem estabilizar o faturamento [Fonte: Desenvolve Agro].
    • **Agregação de Valor e Rastreabilidade**: Explorar a produção de lácteos especiais (leite A2, orgânico) e investir na rastreabilidade para acesso a bonificações por qualidade e eficiência [Fonte: Rehagro].
    • **Redução de Volatilidade**: Avaliar e buscar seguro de preço e contratos de longo prazo com a indústria, minimizando riscos de oscilações abruptas.

    Para Indústrias Laticinistas

    A diferenciação e eficiência na cadeia de valor são cruciais para as indústrias:

    • **Gestão de Estoques Estratégica**: Adotar métodos como PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) ou FEFO (First Expired, First Out), aliando previsão de demanda e monitoramento em tempo real para reduzir perdas por vencimento em até 60% [Fonte: Chaus].
    • **Diferenciação de Produtos**: Investir no desenvolvimento de lácteos com funcionalidade elevada, benefícios de saúde e indulgência consciente (iogurtes proteicos, queijos premium). A transparência e rastreabilidade da origem do leite são expectativas básicas dos consumidores [Fonte: BHB Food].
    • **Contratos de Compra e Hedge**: Formalizar contratos de compra de leite com produtores, priorizando fornecedores confiáveis e diversificados para estabilizar o suprimento. Embora a ferramenta de hedge não esteja amplamente documentada para o setor lácteo brasileiro nos resultados atuais, sua análise como proteção contra volatilidade de preços de commodities pode ser relevante.
    • **Investimento em Logística**: Otimizar rotas e armazenagem refrigerada para reduzir custos e perdas, dada a perecibilidade do produto.

    Para Políticas Públicas

    Instrumentos prioritários e medidas de curto prazo para fortalecer o setor leiteiro incluem:

    • **Linhas de Crédito Direcionadas**: Manter e expandir o acesso a linhas de crédito com taxas de juros reduzidas para a agricultura familiar [Fonte: Tucumán Hoy en Día] e o Programa Mais Leite Saudável, incentivando a modernização e a eficiência nas propriedades.
    • **Seguro Climático e de Preço**: Desenvolver e expandir políticas públicas de seguro climático e de preço específicas para o setor lácteo, mitigando riscos de perdas por eventos climáticos extremos e volatilidade de mercado.
    • **Incentivos à Organização de Produtores**: Criar programas de incentivo ao cooperativismo e associativismo, fortalecendo o poder de negociação dos produtores e o acesso a mercados.
    • **Programas de Agregação de Valor e Rastreabilidade**: Apoiar iniciativas que promovam a rastreabilidade do leite e seus derivados, além de programas de certificação para produtos de maior valor agregado.
    • **Medidas de Curto Prazo para Liquidez**: Atuar com ações emergenciais como a compra de leite em pó pela Conab para regular o mercado [Fonte: Infobae] e investigações antidumping para proteger a produção nacional de importações predatórias [Fonte: Agroempresario].

    Plano de Ação (2026-2027)

    1. **Aprimoramento da Gestão de Custos e Nutrição**

      • **Ação**: Implementar planejamento de dietas, produção de volumosos de qualidade e controle sanitário.
      • **Prazo**: Curto (1T 2026) e Médio (2026-2027).
      • **Responsável**: Produtor.
      • **Métrica**: Redução de 5-10% no Custo Operacional Efetivo (COE).
    2. **Desenvolvimento de Contratos e Parcerias**

      • **Ação**: Produtores: buscar contratos de longo prazo e cooperativas. Indústrias: formalizar contratos de compra.
      • **Prazo**: Médio (2026-2027).
      • **Responsável**: Produtor, Indústria.
      • **Métrica**: 30% da produção sob contrato formalizado.
    3. **Investimento em Diferenciação e Valor Agregado**

      • **Ação**: Indústrias: desenvolver produtos funcionais e rastreáveis. Produtores: explorar nichos (A2, orgânico).
      • **Prazo**: Médio (2026-2027).
      • **Responsável**: Indústria, Produtor.
      • **Métrica**: Aumento de 15% na participação de mercado de produtos de valor agregado.
    4. **Otimização da Gestão de Estoques e Logística**

      • **Ação**: Indústrias: aplicar métodos PEPS/FEFO, previsão de demanda e automação.
      • **Prazo**: Curto a Médio (1T 2026 – 2027).
      • **Responsável**: Indústria.
      • **Métrica**: Redução de 20% nas perdas por vencimento e 10% nos custos logísticos.
    5. **Apoio a Instrumentos de Proteção e Liquidez**

      • **Ação**: Governo: expandir seguro climático e de preço, fortalecer linhas de crédito e programas de aquisição (Conab).
      • **Prazo**: Curto a Médio (1T 2026 – 2027).
      • **Responsável**: Governo.
      • **Métrica**: 15% da produção segurada; 5% de aumento na liquidez do campo via programas.
    6. **Fomento à Organização e Capacitação Setorial**

      • **Ação**: Governo: incentivar cooperativismo e associações. Produtores: participação ativa em grupos de gestão e capacitação.
      • **Prazo**: Médio (2026-2027).
      • **Responsável**: Governo, Produtor.
      • **Métrica**: Aumento de 10% na adesão a cooperativas/associações e programas de capacitação.

    Checklist de Monitoramento Mensal

    Este checklist acionável por região permite o acompanhamento contínuo da situação do mercado de leite:

    • **Produtor**: Preço do leite ao produtor (Cepea regional); Custo operacional efetivo (COE) da propriedade; Preço do milho e farelo de soja (regional); Volume de produção diária; Fluxo de caixa; Qualidade do leite (bonificações).
    • **Indústria**: Captação de leite (volume mensal); Nível de estoques de produtos acabados (dias de venda); Preços de derivados no varejo; Volume de importações/exportações; Margem industrial; Despesas com matéria-prima.
    • **Governo/Setor**: Balança comercial de lácteos; Indicadores de preço (Cepea) e custo de produção (MilkPoint, Scot); Ações de apoio à liquidez (Conab, anti-dumping); Disponibilidade de linhas de crédito rural; Ocorrências climáticas impactando a produção.

    Conclusões

    A fotografia atual do mercado de leite no Brasil, em janeiro de 2026, revela uma conjuntura desafiadora com oferta elevada, estoques substanciais pressionando as cotações e margens de lucro dos produtores severamente comprimidas. Aproximadamente 68% das 34 regiões pesquisadas registram preços pagos aos produtores abaixo do custo operacional efetivo médio estimado de R$2,20/L. Embora existam janelas locais de oportunidade, como em Avaré/SP e no Triângulo Mineiro/MG, o cenário geral exige uma gestão rigorosa de risco, a renegociação de contratos, a redução de custos e a busca por agregação de valor para a sustentabilidade da oferta. A recuperação dos preços, essencial para a saúde do setor, dependerá de um ajuste na oferta e de uma recuperação mais robusta da demanda, o que é projetado para ocorrer apenas no segundo semestre de 2026. Diante disso, recomenda-se o monitoramento mensal regional de indicadores-chave, a validação de outliers nos dados de preço e a implementação de políticas públicas que incentivem contratos de longo prazo, seguro climático e a diferenciação de produtos com maior valor agregado.


    Fontes


    Fonte: Scot Consultoria

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