O pasto alto nem sempre indica qualidade: plantas maduras têm menos folhas e mais talos, reduzindo valor nutritivo, consumo e ganho de peso, o que derruba a produtividade por hectare. Para decidir o manejo, avalie relação folha/talo, presença de espigas e meça a altura média em vários pontos; sinais de pasto passado pedem roçada, ajuste de lotação, pastejo rotativo e suplementação temporária. A recuperação inclui adubação conforme análise de solo, ressemeadura de falhas e inclusão de leguminosas para aumentar proteína, e monitoramento contínuo de alturas e ganho de peso para melhorar resultados.
pasto alto nem sempre é sinônimo de pasto bom — e você pode estar perdendo desempenho e dinheiro sem perceber. Já pensou se deixar a pastagem crescer demais está reduzindo ganho de peso e elevando custos? Neste texto, a zootecnista Janaína Martuscello explica onde ocorrem os equívocos e indica caminhos práticos para ajustar o manejo.
Por que “pasto alto” nem sempre é sinônimo de qualidade
O pasto alto pode enganar a vista, mas nem sempre indica boa qualidade. Muitas vezes a planta está madura, com menos folhas verdes e mais talos secos. Isso dificulta a alimentação e reduz o valor nutritivo para o gado.
Menor valor nutritivo
Plantas maduras têm mais fibra e menos proteína. As folhas são ricas em nutrientes e mais fáceis de digerir. Os talos têm fibra dura que reduz a digestão e a energia disponível.
Consumo e seletividade
Animais preferem folhas jovens e deixam os talos. Quando o pasto é alto, o gado come menos massa útil. Isso reduz ganho de peso e a produção por área.
Estruturas reprodutivas e palatabilidade
Sementes, espigas e flores surgem no pasto alto e tornam a forragem menos palatável. Essas partes são mais fibrosas e secas. O gado evita elas e escolhe áreas com folhas mais tenras.
Sinais práticos para avaliar o pasto
Cheque a relação folha/talo ao caminhar pela pastagem. Meça a altura onde o gado realmente come, não só a altura total. Procure por muita matéria seca e pontos fibrosos. Esses sinais ajudam a decidir quando roçar ou entrar o gado.
Impactos do pasto passado sobre ganho de peso e produtividade
O pasto alto reduz o consumo de matéria útil que o animal encontra. Menos consumo leva a menor ganho de peso diário e desempenho reprodutivo. Além disso, o animal gasta mais tempo selecionando partes tenras e come menos massa total.
Menor consumo e ganho por animal
Quando o pasto está maduro, há mais talo e bem menos folha tenra. Folhas são mais nutritivas e mais fáceis de digerir pelo rúmen do animal. Os talos têm fibra grossa e ocupam espaço no estômago, reduzindo a eficiência. Assim, o animal não alcança a energia necessária para ganhar peso corretamente.
Redução da produção por hectare
Mesmo com pasto alto, a produção por área pode cair por falta de folhas novas. Plantas maduras produzem menos tecido novo e formam menos forragem de qualidade. Isso reduz a quantidade de forragem útil disponível para os animais no campo. No fim, a menor oferta limita a lotação e cai o rendimento da fazenda.
Aumento de custos e manejo
Pasto alto costuma exigir mais manejo e investimentos para recuperar a qualidade do capim. É preciso roçar, adubar ou fazer pastejo estratégico para melhorar a oferta de folhas. Essas ações aumentam custos e demandam tempo e mão de obra especializada na fazenda. Além disso, baixa qualidade prolongada atrasa abates e vendas, reduzindo fluxo de caixa.
Como identificar impacto no rebanho
Observe ganho de peso diário e condição corporal dos animais com rotina de pesagem. Se os ganhos caíram sem causa aparente, é hora de checar a qualidade do pasto. Verifique relação folha/talo, presença de espigas, pontos secos e cobertura do solo. Meça a altura de pastejo, não apenas a altura total do pasto para decidir manejo. Esses sinais ajudam a tomar decisões rápidas e evitar perdas maiores na produção.
Altura correta de manejo: parâmetros e sinais para decisão
A altura correta de manejo ajuda a evitar problemas do pasto alto e baixa qualidade na pastagem.
Saber medir evita que o animal consuma forragem ruim e seca rapidamente.
Parâmetros úteis
Altura do dossel é o parâmetro mais prático para decidir o pastejo.
Procure relação folha/talo com mais folhas verdes do que talos visíveis no campo.
Presença de espigas e flores indica maturidade e menor qualidade na pastagem.
Comportamento animal é sinal prático: animais escolhendo folhas mostram pasto alto claramente.
Como medir
Use uma régua ou bastão de pastejo para medir a altura média.
Meça em vários pontos do piquete para achar uma média representativa rápida.
Anote altura pré e pós-pastejo para avaliar recuperação da planta ao longo do tempo.
Como regra geral, adapte as alturas à espécie e à estação do ano.
Faixas práticas
Para muitos capins tropicais, altura pré-pastejo costuma ficar entre 20 e 35 cm.
Altura pós-pastejo recomendada gira em torno de 5 a 10 cm em geral.
Esses valores variam conforme espécie, estação e objetivo de produção na fazenda.
Sinais para decidir entrada do gado
Entre o gado quando a relação folha/talo mostrar boa proporção de folhas verdes.
Se houver muitas espigas ou muito material seco, adie o pastejo e faça rotação.
Use o tempo de descanso adequado para permitir brotação e formação de folhas novas.
Ajuste a lotação se o pasto não recuperar como esperado após o manejo.
Erros comuns dos produtores e como evitá-los
Um erro comum é deixar o pasto alto crescer sem controle e ação.
Quando isso acontece, o gado seleciona folhas e o ganho cai rapidamente diariamente.
Planejamento e lotação
Defina a lotação conforme a oferta de forragem e seu objetivo anual de produção.
Ajuste o número de animais por área antes que o pasto perca qualidade.
Falta de monitoramento
Meça a relação folha/talo e a altura média do pasto em vários pontos.
Relação folha/talo indica quanto material útil está disponível para os animais comerem hoje.
Manejo e descanso
Implemente pastejo rotativo para dar tempo de descanso e recuperação às plantas essenciais.
Não deixe o pasto muito tempo sem rotação ou cortes de manutenção regulares.
Nutrição do solo e adubação
Faça análise de solo e corrija deficiências antes que a produtividade caia significativamente.
Adubação correta ajuda plantas a formar folhas novas e mais nutritivas rapidamente sempre.
Ações práticas
Use bastão de pastejo e anote alturas pré e pós pastejo em planilha.
Ajuste a lotação, adube e forneça suplemento quando a oferta estiver baixa imediatamente.
Peça orientação técnica para interpretar análises e planejar mudanças no manejo rápidas.
Práticas e ajustes práticos para recuperar a produtividade do pasto
Mudar o manejo com ações rápidas ajuda a recuperar o pasto em poucas semanas.
Ações imediatas
Raspar ou roçar áreas muito altas para reduzir talo seco e facilitar brotação.
Retire o material morto para liberar luz e calor ao solo.
Use suplementação estratégica para manter ganho de peso enquanto o pasto se recupera.
Melhorar a oferta de folhas
Implemente pastejo rotativo para dar descanso e estimular folhas novas.
Ajuste a lotação temporariamente para reduzir pressão sobre áreas fracas.
Semeie espécies complementares, como leguminosas, para aumentar proteína do pasto.
Recuperação do solo
Faça análise de solo para identificar deficiências de nutrientes importantes.
Corrija o solo com calcário e adubação conforme recomendação técnica.
Adube fósforo e nitrogênio na dose certa para estimular crescimento de folhas.
Mecanização e correções
Subsolagem ou grade leve ajudam em áreas compactadas, melhorando enraizamento.
Ressemeie falhas com sementes de boa qualidade no período correto.
Controle plantas invasoras que competem por água e luz no pasto.
Monitoramento e ajustes
Meça alturas pré e pós-pastejo para ajustar o tempo de descanso.
Registre ganhos de peso e compare com metas de produção da fazenda.
Revise práticas a cada ciclo e ajuste lotação e adubação conforme resposta.
Conclusão
Em resumo, o pasto alto nem sempre indica pastagem de qualidade e reduz produtividade. Observe relação folha/talo e altura média para decidir o manejo no campo. Ações rápidas, como roçar e ajustar lotação, podem recuperar a forragem mais rápido. Também considere adubação, correções de solo e uso de leguminosas para melhorar proteína.
Monitore ganho de peso e adapte suplementação enquanto a pastagem se refaz. Peça orientação técnica quando tiver dúvidas sobre análise de solo ou doses de adubo. Com práticas simples e rotina de monitoramento, você verá melhoria na produção. Ajuste sempre conforme clima e espécie de capim na sua fazenda.
FAQ – Perguntas frequentes sobre pasto alto e manejo de pastagem
O que é ‘pasto alto’?
Pasto alto é quando a forragem cresce além da altura ideal para pastejo. Tem mais talos e menos folhas verdes.
Por que o pasto alto reduz produtividade?
Porque o gado consome menos material nutritivo e escolhe só folhas tenras. Isso reduz ganho de peso e produção por hectare.
Como medir a altura correta do pasto?
Use um bastão de pastejo ou régua e meça em vários pontos do piquete. Calcule a média pré e pós-pastejo para avaliar.
Quais sinais indicam que preciso intervir no manejo?
Presença de espigas, muita matéria seca e baixa relação folha/talo são sinais claros. Se o gado passar a selecionar demais, é hora de agir.
Quais ações rápidas ajudam a recuperar o pasto?
Roçar áreas muito altas, ajustar a lotação e oferecer suplementação temporária. Ressemeie falhas e controle plantas daninhas para acelerar a recuperação.
Quando devo fazer análise de solo e adubar?
Faça análise antes de grandes correções ou ao notar queda de produtividade. Adube conforme recomendação técnica para estimular formação de folhas novas.
Fonte: Portal DBO
