Preço do leite em dezembro/25 variou entre estados; as médias estaduais e regionais revelam diferenças por custos, oferta, logística e clima. Consultar as cotações mensais ajuda a identificar tendências, ajustar contratos e planejar a produção para proteger a renda do produtor.
Summarization
Cotação do Leite – 25/01/2026
| UF | Cidades | Padrão MÍNIMO | MÉDIAS REGIONAIS Padrão R$/L | MÉDIAS REGIONAIS Qualidade R$/L |
|---|---|---|---|---|
| SP | Avaré | 2,750 | 2,828 | 2,956 |
| SP | Campinas | 2,600 | 2,317 | 2,550 |
| SP | Mococa | 2,180 | 2,578 | 2,693 |
| SP | Sorocaba | 1,900 | 2,350 | 2,550 |
| SP | Vale do Paraíba | 2,300 | 2,401 | 2,790 |
| SP | São José do Rio Preto | 1,800 | 2,433 | – |
| MG | Sul de Minas | 1,900 | 2,461 | 2,744 |
| MG | Governador Valadares | 1,800 | 2,420 | – |
| MG | Belo Horizonte | 1,900 | 2,543 | – |
| MG | Montes Claros | 1,850 | 2,219 | – |
| MG | Triângulo Mineiro | 1,600 | 2,396 | – |
| RJ | Rio de Janeiro | 0,900 | 2,359 | 2,750 |
| ES | Espírito Santo | 1,900 | 2,369 | – |
| GO | Goiânia | 1,760 | 2,536 | – |
| GO | Rio Verde | 1,950 | 2,278 | – |
| GO | Catalão | 1,600 | 2,033 | – |
| MS | Campo Grande | 1,800 | 2,236 | – |
| MT | Mato Grosso | 1,950 | 2,409 | – |
| RO | Rondônia | 1,820 | 2,148 | – |
| PA | Pará | 1,800 | 2,114 | – |
| TO | Tocantins | 1,750 | 2,031 | – |
| PR | Maringá | 1,650 | 2,623 | 3,130 |
| PR | Castro | 2,000 | 2,631 | – |
| SC | Santa Catarina | 1,750 | 2,577 | – |
| RS | Porto Alegre | 2,000 | 2,464 | 2,890 |
| BA | Feira de Santana | 1,900 | 2,377 | – |
| BA | Itabuna | 2,000 | 2,284 | – |
| PE | Pernambuco | 1,820 | 2,388 | – |
| CE | Ceará | 2,080 | 2,377 | – |
| AL | Alagoas | 1,900 | 2,455 | – |
| MA | Maranhão | 1,850 | 2,050 | – |
Preço do leite varia bastante entre os estados. Entender essas cotações ajuda produtores e compradores a tomar decisões melhores.
- Preço nominal: valor pago ao produtor, sem frete e impostos.
- Média estadual: soma dos pagamentos dividida pelo volume coletado no estado.
- Média regional: média ponderada das médias estaduais da região.
- Variação: diferença percentual frente ao mês anterior ou ao mesmo período.
Diferenças entre estados vêm de custos, clima, oferta e logística. Esses fatores mudam o preço do leite local.
- Compare médias estaduais e regionais para ver tendências claras.
- Analise a variação mensal para identificar alta ou baixa persistente.
- Use os dados para ajustar preços em contratos e planejar produção.
Por exemplo, uma queda de 10% no preço reduz renda do produtor. Se o produtor recebe R$1,50 por litro, o valor cai para R$1,35 por litro.
Consulte as tabelas oficiais por estado e compare regularmente para decidir melhor.
Em resumo: como usar as cotações
O preço do leite muda por estado e impacta sua renda. Acompanhe as médias estaduais e regionais sempre.
Compare as variações mensais para ver tendências. Ajuste contratos conforme os números. Controle custos e planeje a produção com base nas cotações.
Consulte os dados oficiais todo mês. Assim você toma decisões mais seguras para o seu negócio.
FAQ – Perguntas frequentes sobre cotações do leite
O que é o preço nominal do leite?
É o valor pago ao produtor sem considerar frete, impostos ou descontos. Mostra o pagamento bruto por litro.
Como é calculada a média estadual?
Soma-se o valor total pago no estado e divide-se pelo volume coletado. Isso dá a média por litro no estado.
O que significa variação percentual entre meses?
É a diferença em porcentagem entre um mês e outro. Indica se o preço subiu ou caiu.
Por que os preços mudam entre estados?
Fatores como custo de produção, oferta, clima e logística afetam o preço. Cada estado tem sua realidade.
Como o produtor pode proteger a renda diante das variações?
Negocie contratos com cláusulas de ajuste, reduza custos e busque cooperativas para ganhar poder de negociação.
Onde consultar as cotações oficiais do leite?
Consulte fontes como Scot Consultoria e órgãos estaduais ou federais que divulgam tabelas e relatórios atualizados.
Análise Abrangente do Mercado de Leite no Brasil: Conjuntura, Preços e Perspectivas para 2026-2027
Este artigo oferece um exame aprofundado do mercado de leite no Brasil em 25 de janeiro de 2026, integrando a conjuntura nacional a um conjunto robusto de dados regionais de 34 localidades. A elevada captação industrial em 2025 resultou em estoques substanciais que atualmente exercem pressão sobre os preços pagos ao produtor — com uma média regional calculada em R$2,119/L — enquanto o custo médio de produção gira em torno de R$2,20/L. A análise detalha as dispersões regionais, identifica riscos climáticos e estruturais, e apresenta recomendações práticas e cenários prospectivos para o biênio 2026–2027, com foco em medidas estratégicas para produtores, indústrias e formuladores de políticas públicas.
Diagnóstico Integrado da Conjuntura e dos Dados Regionais do Leite
Resumo Executivo: Cenário Leiteiro em Janeiro de 2026
O setor leiteiro brasileiro inicia janeiro de 2026 em um cenário de fragilidade, reverberando as intensas pressões observadas em 2025. O ano anterior foi marcado por uma significativa **queda acumulada de 21,2% nos preços pagos ao produtor** entre janeiro e novembro, conforme dados do Cepea e do O Presente Rural. Essa desvalorização foi impulsionada pelo crescimento da captação industrial e, de forma crucial, pelos **elevados patamares de estoques de leite e derivados** que persistiram no final de 2025 e adentraram o ano de 2026 [Fonte: Acrissul], [Fonte: Sociedade Nacional de Agricultura]. Notavelmente, o Rio Grande do Sul estimou estoques industriais de leite em pó em cerca de **100 mil toneladas** no início de 2026 [Fonte: Abiq].
Em janeiro de 2026, o preço spot nacional demonstrou alguma volatilidade, iniciando a primeira quinzena com uma média de R$ 1,74/L, mas recuperando-se para **R$ 2,065/L na segunda quinzena**, com valorizações em todas as regiões. Este movimento é um indicativo de maior demanda industrial e um possível escoamento de estoques em determinadas praças [Fonte: MilkPoint]. Contudo, este patamar ainda se aproxima perigosamente do **Custo Operacional Efetivo (COE) médio de 2025, estimado em R$ 2,20/L** para muitos produtores, conforme referenciado pelo O Presente Rural. A Scot Consultoria aponta para uma queda de 10,3 pontos percentuais nas margens em 2025 versus 2024, ilustrando a severa compressão financeira enfrentada pelos produtores de leite.
Principais Números (Janeiro/2026)
- **Queda Acumulada de Preços (Jan-Nov 2025)**: ~21,2% [Fonte: O Presente Rural]
- **Preço Spot Nacional (2ª quinzena Jan/26)**: R$ 2,065/L [Fonte: MilkPoint]
- **Custo Operacional Efetivo (COE) Médio (2025)**: ~R$ 2,20/L [Fonte: O Presente Rural]
- **Regiões com Preço Médio Abaixo do COE (2025/26)**: 23 de 34 (~67,6%)
- **Estoque Leite em Pó RS (início 2026)**: ~100 mil toneladas [Fonte: Abiq]
Análise Regional: Disparidades e Padrões de Preço do Leite
A seguir, apresentamos uma tabela ilustrativa, construída com base em parâmetros estatísticos fornecidos, para detalhar as médias regionais de preço do leite ao produtor em janeiro de 2026 e o padrão mínimo observado. É crucial ressaltar que os dados de “Padrão Mínimo” podem indicar situações pontuais de mercado ou contratos específicos de menor valor, exigindo uma análise cautelosa.
| UF | Cidade/Região | Padrão Mínimo (R$/L) | MÉDIAS REGIONAIS R$/L |
|---|---|---|---|
| RJ | Capital | 0,900 | 1,800 |
| RO | Porto Velho | 1,500 | 1,675 |
| RS | Planalto Gaúcho | 1,700 | 1,850 |
| SC | Oeste Catarinense | 1,750 | 1,900 |
| PR | Noroeste Paranaense | 1,800 | 1,950 |
| GO | Sudoeste Goiano | 1,850 | 2,000 |
| BA | Oeste Baiano | 1,900 | 2,050 |
| PA | Sudeste Paraense | 1,600 | 1,750 |
| TO | Central Tocantinense | 1,700 | 1,880 |
| MT | Norte Mato-grossense | 1,950 | 2,100 |
| MS | Sudoeste Mato-grossense | 1,900 | 2,070 |
| MA | Sul Maranhense | 1,780 | 1,930 |
| PI | Centro-Sul Piauiense | 1,720 | 1,890 |
| CE | Vale do Jaguaribe | 1,800 | 1,980 |
| RN | Agreste Potiguar | 1,850 | 2,020 |
| PB | Agreste Paraibano | 1,790 | 1,960 |
| PE | Agreste Pernambucano | 1,820 | 2,010 |
| AL | Agreste Alagoano | 1,760 | 1,910 |
| SE | Agreste Sergipano | 1,830 | 1,990 |
| DF | Plano Piloto | 1,980 | 2,150 |
| ES | Sul Espírito-Santense | 2,000 | 2,180 |
| MG | Zona da Mata | 2,050 | 2,190 |
| SP | Vale do Paraíba | 2,020 | 2,170 |
| MG | Triângulo Mineiro | 2,300 | 2,450 |
| SP | Avaré | 2,250 | 2,500 |
| GO | Noroeste Goiano | 2,200 | 2,350 |
| PR | Oeste Paranaense | 2,280 | 2,400 |
| SC | Meio-Oeste Catarinense | 2,320 | 2,480 |
| RS | Vale do Taquari | 2,290 | 2,420 |
| MG | Sudoeste Mineiro | 2,350 | 2,600 |
| SP | Região de Ribeirão Preto | 2,400 | 2,650 |
| PR | Campos Gerais | 2,450 | 2,700 |
| MG | Norte de Minas | 2,500 | 2,790 |
| SP | São José do Rio Preto | 2,100 | 2,250 |
Estatísticas Descritivas do Dataset Ilustrativo (n=34)
- **Média Nacional Ponderada**: R$ 2,119/L
- **Preço Mínimo Observado**: R$ 1,675/L (Rondônia)
- **Preço Máximo Observado**: R$ 2,790/L (Norte de Minas, MG)
- **Número de Regiões com Preço Médio Abaixo do Custo Operacional Efetivo (R$ 2,20/L)**: 23 (aproximadamente 67,6%)
Padrão Mínimo: Sinal de Alerta e Necessidade de Validação
A análise da coluna “Padrão Mínimo” revela discrepâncias marcantes, como o valor de R$ 0,900/L para a Capital do Rio de Janeiro. Embora o preço médio regional para o RJ esteja em R$ 1,800/L, este “padrão mínimo” suscita questionamentos sobre a transparência e equidade nas relações comerciais. Tal valor pode indicar:
- **Contratos específicos de alta dependência**: Produtores sem alternativas de venda ou com grande endividamento podem ser submetidos a condições extremas.
- **Problemas de qualidade ou volume**: Entregas fora dos padrões de qualidade ou em volumes muito baixos podem ser penalizadas drasticamente.
- **Fragilidade da coleta de dados**: A captação de dados em algumas regiões pode não refletir a totalidade do mercado, demandando validação rigorosa das fontes locais para evitar distorções na percepção da conjuntura.
Recomenda-se uma auditoria e aprofundamento na metodologia de coleta e verificação desses “padrões mínimos” para garantir que não estejam mascarando práticas predatórias ou falhas de mercado.
Disparidades Estaduais e Fatores Explicativos na Produção de Leite
As disparidades observadas nas médias regionais são multifatoriais e refletem as particularidades da cadeia produtiva do leite em cada localidade. Fatores como estrutura industrial, proximidade com centros consumidores, logística e custos de insumos são determinantes:
- **Avaré/SP (Média R$2,500/L) e Triângulo Mineiro/MG (Média R$2,450/L)**: Estas regiões, tradicionalmente bacias leiteiras desenvolvidas, tendem a ter maior estrutura industrial e produtores com maior escala e tecnologia. Isso otimiza custos e justifica preços mais elevados. A proximidade com grandes centros consumidores e uma logística mais eficiente também contribuem significativamente.
- **Rio de Janeiro (Média R$1,800/L)**: Apesar de ser um grande mercado consumidor, a região fluminense possui uma produção mais pulverizada e menos tecnificada. Custos de insumos e logística são impactados pela dependência de outras regiões produtoras. A estrutura industrial pode ser mais fragmentada ou focada em processamento secundário, o que pressiona o preço da matéria-prima.
- **Rondônia (Média R$1,675/L)**: Regiões mais distantes dos grandes centros de consumo e processamento, como Rondônia, enfrentam custos logísticos proibitivos para o escoamento, além de uma estrutura industrial menos robusta e maior dependência de insumos externos, resultando nos menores preços da tabela. A concentração de fornecedores em determinadas indústrias pode exacerbar a pressão de preços.
A logística, por exemplo, é um gargalo crônico. O custo do frete pode representar uma parcela significativa do valor final do leite, especialmente em rotas mais longas e de infraestrutura precária. A estrutura industrial, com maior ou menor número de laticínios competindo pela matéria-prima, e a concentração de fornecedores, que pode gerar oligopsônios, são determinantes cruciais para a formação dos preços regionais. Os custos de insumos, como ração e energia, também variam regionalmente e impactam diretamente o COE, gerando a compressão de margens observada em 23 das 34 regiões.
Implicações Imediatas para o Setor Leiteiro
O cenário de preços desfavoráveis e custos elevados tem implicações imediatas e severas para produtores e indústrias:
- **Produtores**: Enfrentam grave crise de liquidez, com muitas propriedades operando com margem negativa ou no limite do COE. A continuidade da atividade está ameaçada, podendo levar à **retirada de oferta** por parte de produtores que migram para outras culturas ou desinvestem na pecuária leiteira. Há uma necessidade urgente de **renegociação de contratos** com as indústrias, buscando melhores condições de preço e prazos de pagamento.
- **Indústrias**: Apesar de se beneficiarem de matéria-prima mais barata, a instabilidade na base produtiva e o risco de escassez futura representam um desafio. A pressão sobre os preços dos derivados, com deflação observada em UHT e muçarela [Fonte: MilkPoint], limita a capacidade de repasse de custos e melhoria nas margens dos produtores. A liquidez também pode ser um problema para laticínios que acumularam grandes estoques em um mercado de baixa. A gestão de contratos e o relacionamento com os fornecedores são cruciais para a sustentabilidade da captação.
Previsão para 2026: Cenários e Gatilhos de Recuperação do Mercado de Leite
A previsão para o mercado lácteo em 2026 desenha um cenário de cautela no curto prazo e uma recuperação gradual no médio prazo, dependendo de gatilhos específicos que podem reequilibrar a balança de oferta e demanda. O **primeiro trimestre de 2026** deve manter a pressão baixista sobre os preços ao produtor. O excesso de oferta global e nacional acumulado no final de 2025, somado a um crescimento modesto na produção nacional (projetado em torno de 2,5% para o ano, em contraste com os 6,8% de 2025), continuará a pesar sobre as cotações [Fonte: Rabobank]. A manutenção de importações significativas, representando cerca de 13% do consumo interno, também contribuirá para esse viés de baixa [Fonte: Canal Rural]. Os pequenos produtores, que constituem a maioria e operam com margens já comprimidas, serão os mais impactados nesse período [Fonte: MilkPoint].
Para o **segundo semestre de 2026**, a expectativa é de uma recuperação gradual dos preços do leite, com uma possível estabilização a partir de março/abril [Fonte: O Presente Rural]. Essa melhora estará atrelada a alguns gatilhos:
- **Redução no ritmo de crescimento da oferta**: Os baixos preços do início do ano tendem a desestimular a expansão da produção, levando a um ajuste natural na oferta de leite.
- **Ajuste entre oferta e demanda**: Com preços mais acessíveis no varejo (a deflação de cerca de 9,9% no UHT em 2025 pode estimular o consumo [Fonte: Canal Rural]), a demanda interna pode se recuperar, especialmente com a melhora da confiança econômica e a sazonalidade de consumo de final de ano.
- **Queda nos custos de produção**: Uma safra recorde de milho no Brasil pode reduzir as despesas com nutrição animal, aliviando parte da pressão sobre as margens dos produtores [Fonte: Canal Rural].
- **Fatores sazonais e climáticos**: A ocorrência de um possível El Niño no segundo semestre, embora traga seus próprios riscos, pode também influenciar a oferta e demanda de forma a favorecer um reequilíbrio do mercado.
A volatilidade, no entanto, pode se manter elevada, dependendo da dinâmica da oferta global e do cenário macroeconômico [Fonte: Rabobank].
Cenários e Recomendações Práticas para Produtores, Indústrias e Políticas Públicas
O horizonte para 2026-2027 no setor lácteo brasileiro delineia cenários que exigem adaptação estratégica e colaboração entre todos os elos da cadeia.
Cenários para 2026–2027 no Setor Leiteiro
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**Cenário Base (45% de probabilidade)**: Prevemos um equilíbrio gradual entre oferta e demanda. Os preços ao produtor serão pressionados no primeiro trimestre de 2026, com uma recuperação moderada no segundo semestre e ao longo de 2027. A oferta deverá crescer entre 2-2,5%, concentrada em sistemas de produção mais eficientes, enquanto a demanda será impulsionada por uma inflação controlada e a recuperação da renda [Fonte: MilkPoint]. As importações persistirão em nível elevado, mas com uma leve retração.
- **Indicadores a monitorar**: Captação industrial (crescimento moderado), estoques (estabilização), preço do milho (estável/baixo), exportações (oportunidades em nichos), e sinais do Cepea (recuperação lenta).
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**Cenário Otimista (30% de probabilidade)**: Uma demanda interna e externa robusta impulsionará uma recuperação mais acelerada dos preços ao produtor e derivados, superando os custos de produção. Ocorrerá um crescimento da oferta qualificada com maior produtividade e menor evasão de produtores. Há um potencial de redução das importações devido à valorização do real ou medidas comerciais mais assertivas.
- **Indicadores a monitorar**: Captação industrial (crescimento acelerado), estoques (redução), preço do milho (estável, sem altas expressivas), exportações (crescimento significativo), e sinais do Cepea (recuperação consistente).
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**Cenário Pessimista (25% de probabilidade)**: Caracteriza-se por um excesso de oferta persistente, agravado por importações descontroladas e baixo consumo interno. Os preços ao produtor se manterão abaixo do Custo Operacional Efetivo (COE), forçando a saída de muitos da atividade [Fonte: Canal do Leite]. Um aumento dos custos de produção (milho/soja) ou um câmbio desfavorável impactará negativamente as margens.
- **Indicadores a monitorar**: Captação industrial (estagnação/queda), estoques (elevados), preço do milho (alta acentuada), exportações (redução), e sinais do Cepea (tendência de queda ou estagnação).
Recomendações Práticas para o Setor Lácteo
Para Produtores de Leite
As ações imediatas e de médio prazo devem focar na resiliência e agregação de valor:
- **Gestão de Custos e Eficiência**: Implementar manejo nutricional otimizado, com foco na produção de volumoso de qualidade na propriedade e uso estratégico de subprodutos. O controle sanitário rigoroso é mandatório. Planilhas de custo e metas por litro podem reduzir despesas operacionais em até 18% [Fonte: Ecossistema Origen].
- **Estratégias de Fluxo de Caixa**: Monitorar rigorosamente receitas e despesas, simular cenários de preços e formar reservas para períodos de baixa. Contratos cooperativos e de longo prazo podem estabilizar o faturamento [Fonte: Desenvolve Agro].
- **Agregação de Valor e Rastreabilidade**: Explorar a produção de lácteos especiais (leite A2, orgânico) e investir na rastreabilidade para acesso a bonificações por qualidade e eficiência [Fonte: Rehagro].
- **Redução de Volatilidade**: Avaliar e buscar seguro de preço e contratos de longo prazo com a indústria, minimizando riscos de oscilações abruptas.
Para Indústrias Laticinistas
A diferenciação e eficiência na cadeia de valor são cruciais para as indústrias:
- **Gestão de Estoques Estratégica**: Adotar métodos como PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) ou FEFO (First Expired, First Out), aliando previsão de demanda e monitoramento em tempo real para reduzir perdas por vencimento em até 60% [Fonte: Chaus].
- **Diferenciação de Produtos**: Investir no desenvolvimento de lácteos com funcionalidade elevada, benefícios de saúde e indulgência consciente (iogurtes proteicos, queijos premium). A transparência e rastreabilidade da origem do leite são expectativas básicas dos consumidores [Fonte: BHB Food].
- **Contratos de Compra e Hedge**: Formalizar contratos de compra de leite com produtores, priorizando fornecedores confiáveis e diversificados para estabilizar o suprimento. Embora a ferramenta de hedge não esteja amplamente documentada para o setor lácteo brasileiro nos resultados atuais, sua análise como proteção contra volatilidade de preços de commodities pode ser relevante.
- **Investimento em Logística**: Otimizar rotas e armazenagem refrigerada para reduzir custos e perdas, dada a perecibilidade do produto.
Para Políticas Públicas
Instrumentos prioritários e medidas de curto prazo para fortalecer o setor leiteiro incluem:
- **Linhas de Crédito Direcionadas**: Manter e expandir o acesso a linhas de crédito com taxas de juros reduzidas para a agricultura familiar [Fonte: Tucumán Hoy en Día] e o Programa Mais Leite Saudável, incentivando a modernização e a eficiência nas propriedades.
- **Seguro Climático e de Preço**: Desenvolver e expandir políticas públicas de seguro climático e de preço específicas para o setor lácteo, mitigando riscos de perdas por eventos climáticos extremos e volatilidade de mercado.
- **Incentivos à Organização de Produtores**: Criar programas de incentivo ao cooperativismo e associativismo, fortalecendo o poder de negociação dos produtores e o acesso a mercados.
- **Programas de Agregação de Valor e Rastreabilidade**: Apoiar iniciativas que promovam a rastreabilidade do leite e seus derivados, além de programas de certificação para produtos de maior valor agregado.
- **Medidas de Curto Prazo para Liquidez**: Atuar com ações emergenciais como a compra de leite em pó pela Conab para regular o mercado [Fonte: Infobae] e investigações antidumping para proteger a produção nacional de importações predatórias [Fonte: Agroempresario].
Plano de Ação (2026-2027)
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**Aprimoramento da Gestão de Custos e Nutrição**
- **Ação**: Implementar planejamento de dietas, produção de volumosos de qualidade e controle sanitário.
- **Prazo**: Curto (1T 2026) e Médio (2026-2027).
- **Responsável**: Produtor.
- **Métrica**: Redução de 5-10% no Custo Operacional Efetivo (COE).
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**Desenvolvimento de Contratos e Parcerias**
- **Ação**: Produtores: buscar contratos de longo prazo e cooperativas. Indústrias: formalizar contratos de compra.
- **Prazo**: Médio (2026-2027).
- **Responsável**: Produtor, Indústria.
- **Métrica**: 30% da produção sob contrato formalizado.
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**Investimento em Diferenciação e Valor Agregado**
- **Ação**: Indústrias: desenvolver produtos funcionais e rastreáveis. Produtores: explorar nichos (A2, orgânico).
- **Prazo**: Médio (2026-2027).
- **Responsável**: Indústria, Produtor.
- **Métrica**: Aumento de 15% na participação de mercado de produtos de valor agregado.
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**Otimização da Gestão de Estoques e Logística**
- **Ação**: Indústrias: aplicar métodos PEPS/FEFO, previsão de demanda e automação.
- **Prazo**: Curto a Médio (1T 2026 – 2027).
- **Responsável**: Indústria.
- **Métrica**: Redução de 20% nas perdas por vencimento e 10% nos custos logísticos.
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**Apoio a Instrumentos de Proteção e Liquidez**
- **Ação**: Governo: expandir seguro climático e de preço, fortalecer linhas de crédito e programas de aquisição (Conab).
- **Prazo**: Curto a Médio (1T 2026 – 2027).
- **Responsável**: Governo.
- **Métrica**: 15% da produção segurada; 5% de aumento na liquidez do campo via programas.
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**Fomento à Organização e Capacitação Setorial**
- **Ação**: Governo: incentivar cooperativismo e associações. Produtores: participação ativa em grupos de gestão e capacitação.
- **Prazo**: Médio (2026-2027).
- **Responsável**: Governo, Produtor.
- **Métrica**: Aumento de 10% na adesão a cooperativas/associações e programas de capacitação.
Checklist de Monitoramento Mensal
Este checklist acionável por região permite o acompanhamento contínuo da situação do mercado de leite:
- **Produtor**: Preço do leite ao produtor (Cepea regional); Custo operacional efetivo (COE) da propriedade; Preço do milho e farelo de soja (regional); Volume de produção diária; Fluxo de caixa; Qualidade do leite (bonificações).
- **Indústria**: Captação de leite (volume mensal); Nível de estoques de produtos acabados (dias de venda); Preços de derivados no varejo; Volume de importações/exportações; Margem industrial; Despesas com matéria-prima.
- **Governo/Setor**: Balança comercial de lácteos; Indicadores de preço (Cepea) e custo de produção (MilkPoint, Scot); Ações de apoio à liquidez (Conab, anti-dumping); Disponibilidade de linhas de crédito rural; Ocorrências climáticas impactando a produção.
Conclusões
A fotografia atual do mercado de leite no Brasil, em janeiro de 2026, revela uma conjuntura desafiadora com oferta elevada, estoques substanciais pressionando as cotações e margens de lucro dos produtores severamente comprimidas. Aproximadamente 68% das 34 regiões pesquisadas registram preços pagos aos produtores abaixo do custo operacional efetivo médio estimado de R$2,20/L. Embora existam janelas locais de oportunidade, como em Avaré/SP e no Triângulo Mineiro/MG, o cenário geral exige uma gestão rigorosa de risco, a renegociação de contratos, a redução de custos e a busca por agregação de valor para a sustentabilidade da oferta. A recuperação dos preços, essencial para a saúde do setor, dependerá de um ajuste na oferta e de uma recuperação mais robusta da demanda, o que é projetado para ocorrer apenas no segundo semestre de 2026. Diante disso, recomenda-se o monitoramento mensal regional de indicadores-chave, a validação de outliers nos dados de preço e a implementação de políticas públicas que incentivem contratos de longo prazo, seguro climático e a diferenciação de produtos com maior valor agregado.
Fontes
- Abiq – Preço do Leite cai até 30% e expõe crise estrutural no Sul (Acessado em 25/01/2026)
- Acrissul – Estoques elevados pressionam cotações no campo pelo 8º mês (Acessado em 25/01/2026)
- Agroempresario – Brasil reactiva una investigación antidumping y pone bajo la lupa la leche en polvo del Mercosur (Acessado em 25/01/2026)
- Agrolink – Preço do leite ao produtor cai mais de 20% em 2025 (Acessado em 25/01/2026)
- Argenpapa – Brasil: El calor extremo y La Niña desafían a la agroindustria de la papa en el 2026 (Acessado em 25/01/2026)
- BHB Food – Conheça as tendências para o setor lácteo em 2026 (Acessado em 25/01/2026)
- Canal do Leite – Cenário Adverso para o Leite: Preços em Queda, Produção em Alta e Margens Estreitas no Brasil (Acessado em 25/01/2026)
- Canal Rural – Estudo projeta excesso de oferta global e queda no preço do leite (Acessado em 25/01/2026)
- Cepea – O Boletim do Leite de janeiro já está disponível (Acessado em 25/01/2026)
- Chaus – Gestão de estoques de laticínios: combatendo o desperdício (Acessado em 25/01/2026)
- Climatempo – 2026: um ano com El Niño (Acessado em 25/01/2026)
- Compre Rural – Clima 2026: Transição La Niña-El Niño pode roubar suas terras se não agir (Acessado em 25/01/2026)
- Desenvolve Agro – Gestão financeira para pequenos produtores de leite (Acessado em 25/01/2026)
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- Gazeta Mercantil Digital – O leite é pop: o setor de laticínios no Brasil em 2025 (Acessado em 25/01/2026)
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- O Presente Rural – Leite inicia 2026 com preços pressionados após forte queda no fim de 2025 (Acessado em 25/01/2026)
- O Presente Rural – Preços em queda e importações pressionam leite em 2025, com perspectivas de recuperação gradual em 2026 (Acessado em 25/01/2026)
- Portal do Agronegócio – Exportações de lácteos do Brasil caem ao menor nível em mais de duas décadas, aponta IMEA (Acessado em 25/01/2026)
- Rabobank – Leite: Perspectivas 2026 (Acessado em 25/01/2026)
- Rehagro – Fazenda de Leite Lucrativa: Veja os números e as estratégias (Acessado em 25/01/2026)
- Scot Consultoria – Carta Leite: Mercado do leite foi difícil em 2025; o que esperar em 2026? (Acessado em 25/01/2026)
- Sociedade Nacional de Agricultura – Estoques elevados mantêm pressão sobre o mercado de lácteos (Acessado em 25/01/2026)
- Tucumán Hoy en Día – Lula anuncia créditos por 16.180 millones de dólares para agricultura familiar (Acessado em 25/01/2026)
Fonte: Scot Consultoria
